Name:

Blog feito por estudantes de Psicologia da Comunicacão, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a fim de discutir o cenário da política local e nacional. Obrigado pelos comentários.

Tuesday, April 03, 2007

A mediocridade brasileira

Por Sérgio Luiz Bezerra Trindade (slbtrindade@yahoo.com.br)
Professor

Retomo este texto para fazer algumas correções gramaticais e algumas considerações que não foram devidamente esclarecidas.

Educação no Brasil é algo que dá dinheiro para alguns poucos, não rende voto e continua, quando muito, no terreno distante do discurso vazio, eleitoreiro e demagógico. Ai de quem tiver, de fato, um projeto sério para salvar o país do desastre educacional ou do marasmo que contamina pais, alunos e professores. O destino de quem o fizer será, no mínimo, a indiferença da sociedade. É só analisar o que ocorreu há pouco mais de um mês, quando a sociedade recebeu impassível uma pletora de números indicando que a educação no Brasil vai de mal a pior. Que há uma grave deterioração no desempenho dos estudantes. E o que faz a sociedade? Nada. E o que fazem os donos do poder em Brasília? Nada. O que fazem as autoridades norte-rio-grandenses? Nada. Melhor dizendo: em Brasília discutiram-se muitos temas importantes, a saber, se o PMDB vai participar do governo, com quantos ministérios e quem serão os contemplados, se Renan Calheiros romperia ou não com Lula, entre outras besteiras. Quanto ao tema educação, o que ouvi de mais alvissareiro é que poderia haver um novo Ministro – saindo Fernando Haddad (um técnico), para a entrada de Marta Suplicy (um político). Se se confirmasse a informação, sairia alguém que, por ser técnico, presume-se, entende do ofício e entraria uma dondoca afetada, sequiosa por usar o espaço como comitê e trampolim político para vôos mais altos, uma possível candidatura ao governo de São Paulo ou, porque não, à Presidência da República. Até que na semana passada, surgiu um novo plano: um plano de investimentos na educação básica. Não se atenta para o detalhe de que até tem se investido em educação. O problema é que se gasta mal e não se prioriza o que deveria ser priorizado (investe-se muito em educação de nível superior e pouco em educação básica; e quando se encaminha verba para secretarias de educação e escolas não se exige cobrança quanto à qualidade do serviço a ser oferecido).

A melhoria da educação não passa pelo loteamento do ministério entre aliados. Não é pondo na pasta um político ou um técnico (seja Marta Suplicy, Fernando Haddad ou qualquer outro) que a área irá deslanchar. Mas um técnico, para um setor que precisa de uma gestão eficiente e equilibrada, é sempre melhor a um político. Submetida a desmandos colossais, a área educacional precisa de um pacto que envolva as três esferas governamentais (cada uma delas estabelecendo metas a serem efetivamente atingidas), a sociedade civil, o Congresso Nacional, etc. Educação é para ser tratada como área de segurança nacional, setor estratégico da economia. Só assim, salvaremos o país da débâcle. Todos cumprindo suas metas previamente estabelecidas. É isso ou o caos.

Metas também devem ser fixadas para os diretores de escolas, para os professores e para os estudantes. Os currículos precisam ser inteiramente modificados, evitando-se os aprofundamentos inúteis que determinam objetivos grandiosos e mascaram resultados pífios. Muito se diz que os estudantes brasileiros não sabem ler e escrever. E é verdade. Mas, ao que me consta, ler e escrever é um exercício, que precisa ser exaustivamente praticado. É na área das humanidades que melhor se poderia praticar os exercícios da leitura e da escrita. Mas qual o peso, no currículo, dado à área das humanidades? Em comparação com a área das ciências naturais e exatas, praticamente nenhum. Como tornar o jovem pronto para um mundo no qual a leitura é cada vez mais importante, se a escola não valoriza as disciplinas que lidam com ela?

Os alunos não podem ser tratados como coitadinhos e clientes, como por vezes fazem os “analistas” e dirigentes de escolas públicas e privadas, respectivamente. Alunos têm obrigações a cumprir. Não as cumprindo, não podem evoluir para as séries seguintes. Reprová-los não é a solução. Mas as férias tão aguardadas deveriam ser adiadas ou abreviadas, contanto que o estudante atinja os objetivos que foram de ante-mão propostos. Os professores, por sua vez, devem ser premiados quando atingem uma excelência pedagógica. Uma política meritocrática precisa ser implantada e precisa funcionar nas escolas (não só nelas, mas em todos os setores).
Professores e alunos que estudam devem ser premiados pelo esforço. Mais cedo ou mais tarde o sistema de mérito deverá vigorar no Brasil. Ou isso, ou a falência do país. Sem a valorização do mérito, o país continuará estimulando a mediocridade, patinando na imbecilidade e discutindo trivialidades.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home