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Blog feito por estudantes de Psicologia da Comunicacão, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a fim de discutir o cenário da política local e nacional. Obrigado pelos comentários.

Tuesday, April 03, 2007

Fica

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor (
slbtrindade@yahoo.com.br)

Pafraseando Moraes Moreira: Agora como é que eu fico nas tardes de sábado...

A minha geração talvez seja a última que presenciou o desfile de craques pelos campos de futebol do Brasil e que fossem profundamente identificados com o clube que defenderam: Zico e Flamengo, Roberto Dinamite e Vasco, Sócrates e Corinthians, Ademir da Guia e Palmeiras, Garrincha e Botafogo, Falcão e Internacional. São apenas alguns exemplos.

Impossível não fechar os olhos e transportar-se para os anos 1970-80 sem vislumbrar a alegria e a tristeza que Zico, com a 10 do Flamengo às costas, causava, respectivamente, às torcidas de Flamengo e Vasco. Ou ver Roberto Dinamite, com a 10 do Vasco, estufar as redes adversárias. Talvez sejam os exemplos mais emblemáticos dos que estão na faixa dos 35 aos 45 anos.

Jogo uma peladinha semanal no colégio Marista desde 1982. Este ano o convescote futebolístico completa 27 anos de vida. Na maior parte do tempo, um comandante extrapolou todos os limites sadios de liderança. Competente professor de Matemática, número oito nos costados quanto pisa no gramado do Marista, Ademar é a expressão viva da sobrevivência de uma das mais agradáveis reuniões de que eu participo. Mais da metade de minha vida (tenho 39 anos) transcorreu em torno de um grupo que mudou, mas em essência permanece o mesmo, e que é responsável, em certa medida, pelo homem que sou. Todos temos de nos aposentar. Inclusive Ademar que, para mim, parecia ser invencível. Acreditava que ele jamais passaria o bastão de comando para outro. Uma espécie de Fidel Castro do bem. Um ditador consensual. Todos o aceitamos, todos a ele nos curvamos quando o assunto são assuntos de sábado à tarde. Sábado a partir de 14 h não pode haver programa. Jogar bola é o PROGRAMA, depois sair para sorver alguns não poucos goles de cerveja.
Pois bem, depois de 24 anos defendendo as cores do Marista, Ademar anuncia aposentadoria. Problemas no joelho, que ceifaram carreiras que pareciam promissoras ou abateram monstros sagrados do futebol, como Reinaldo, Zico e Garrincha, para citar três dos mais importantes jogadores brasileiros, tira de campo não uma promessa, mas um experiente professor e dublê de jogador de futebol, de inestimáveis serviços prestados ao colégio no qual leciona e à equipe que valentemente defendeu, como meia-armador, por mais de duas décadas.
Como não poderia deixar de ser, já começo a ouvir um burburinho no pátio do colégio, entre docentes e discentes, nas reuniões informais e formais reunindo professores, nas residências de quem com ele conviveu e convive, até que, assombrosamente, faz-se ouvir o ronco surdo da massa tomando as ruas. Poucos experimentaram isso: Pelé, quando decidiu não mais jogar pela Seleção Brasileira, experimentou o êxtase de ouvir um Maracanã lotado pedir para que ele ficasse; Zico, o mesmo quando não mais jogou pelo Flamengo; Roberto, quando deixou o Vasco.
Nós, esforçados jogadores de final de semana e a nossa pequena torcida, também havemos de gritar a plenos pulmões: FICA Ademar, FICA Ademar...

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