Name:

Blog feito por estudantes de Psicologia da Comunicacão, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a fim de discutir o cenário da política local e nacional. Obrigado pelos comentários.

Monday, October 23, 2006

Natal como trampolim

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor
*Artigo publicado no Jornal de Hoje

Tempos atrás escrevi um artigo para este jornal no qual defendia a tese de que Natal sempre fora uma fronteira política e militar, como prova a nossa participação na Segunda Guerra Mundial (quando Natal foi batizada de Trampolim da Vitória), fato que os responsáveis pelo turismo no estado não sabem capitalizar.

Assim como a história da nossa participação naquele conflito, que envolveu o mundo em meados do século XX, continua inexplorado, do ponto de vista artístico, cultural e turístico, outros momentos de nossa gloriosa história continuam esquecidos, relegados ao silêncio misericordioso do tempo. Instantes marcantes, que poderiam ser usados para forjar uma identidade para a nossa cidade e o nosso povo.

Pois bem, muito antes da Segunda Guerra Mundial, nos idos do século XVII, Natal já desempenhara o papel de trampolim. Um trampolim para a conquista do norte do Brasil. Durante um bom pedaço da Segunda Guerra, fomos um trampolim para a conquista da África, contribuindo para derrotar as forças nazistas que se apoderaram daquele pedaço do mundo.

No final do século XVI, a fundação de Natal representou um marco colonizador da porção norte do Brasil, pois garantiu o domínio português da capitania do Rio Grande e deu oportunidade aos portugueses de conquistar e empreender o domínio do litoral norte do Brasil, visto a localização da capitania, de esquina na parte nordeste da América do Sul, permitir a sua utilização para o salto que garantiu a conquista e a incorporação do Ceará, do Maranhão e do Pará ao território da então colônia portuguesa que se formava e se espraiava. Essas conquistas garantiram a posterior colonização da região amazônica em sua parte central.

A construção do Forte dos Reis Magos e a fundação de Natal, marcos colonizadores da capitania do Rio Grande (em grande parte o atual estado do Rio Grande do Norte) foi de grande importância na formação do território brasileiro em sua parte setentrional. A posição estratégica do Forte permitiu que o litoral norte-rio-grandense ao norte e ao sul fosse resguardado e encurtou a distância do Maranhão ao Amazonas, permitindo o avanço da fronteira e da colonização lusitana no século XVII. A posição geográfica do Rio Grande do Norte – uma esquina norte-oriental da América do Sul – foi, assim, a porta que permitiu o prosseguimento da conquista portuguesa no litoral norte do Brasil.

Duas figuras de proa, que serviram no Forte dos Reis Magos, Jerônimo de Albuquerque e Martim Soares Moreno, foram, respectivamente, o conquistador do Maranhão e o primeiro capitão-mor do Ceará.

Por que tais fatos não são explorados pela indústria do turismo? Que imagens existem de aventureiros e conquistadores como Jerônimo de Albuquerque Maranhão e Martim Soares Moreno? Por que não construir bustos daqueles que aqui viveram e daqui partiram para alargar as fronteiras do Brasil? Por que não erguer uma bela praça próxima ao Forte dos Reis Magos e dispor nelas os bustos desses heróis, imagens que lembrassem as suas façanhas? Por que não pintar quadros que lembrem os seus feitos? Espetáculos de teatro a céu aberto poderiam ser encenados para lembrar as suas realizações? Esses espetáculos poderiam ser encenados durante a Festa de Santos Reis, há muito esquecida e abandonada por nossas autoridades. Concursos de músicas e poesias poderiam ser promovidos para valorizar esse período tão rico de nossa história. Dessa forma estaríamos contribuindo para resgatar a nossa história, popularizando-a. E caminharíamos céleres em busca de uma identidade para a cidade de Natal, caminho já descoberto por nossa irmã do oeste, a pioneira Mossoró.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home