Tá na boca do povo

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Blog feito por estudantes de Psicologia da Comunicacão, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a fim de discutir o cenário da política local e nacional. Obrigado pelos comentários.

Tuesday, April 03, 2007

Judiam ao ABC
Sérgio Luiz Bezerra Trindade - Professor
Platão não gostava de arte porque, segundo ele, era uma cópia do mundo real que, por sua vez, já era uma cópia do mundo ideal. Portanto, arte era, para o grande filósofo, uma cópia da cópia.
Gosto de arte, mas não gosto de coisa copiada. Principalmente se for mal copiada. Se houve um Pelé, um segundo cheiraria a fraude; se houve um Napoleão, um outro que tentasse igualá-lo chegaria, no máximo, a coronel e, se tentasse empalmar o poder, não passaria de um tiranete, desses que abundam na América Latina; Jesus Cristo só houve um, se aparecer outro aí pelas esquinas, devemos interná-lo como lunático ou fanático religioso, como aconteceu com o próprio.
Mas por que cito Platão e dou alguns exemplos, com os quais, ouso dizer, o grande mestre concordaria?
Não escrevo este artigo chorando, porque corro o risco de chorar sangue, e a cor vermelha é a que veste o nosso maior rival. Mas estou de cabeça inchada! De ressaca moral!! Cabisbaixo!!! Chateado!!!! Enfurecido!!!!!
Não sou religioso, logo não sou cristão. Simpatizo com Jesus Cristo e com Judas Iscariotes, aquele que fez corretamente o dever de entregar o Messias para que cumprisse sua missão. Fanáticos religiosos de todos os tempos querem diminuir o peso histórico-teológico de Judas Iscariotes, denegrindo a sua imagem, apresentando-o como um mercenário que vendeu Jesus por algumas moedas de prata. Sem Judas Iscariotes, não haveria Jesus, pelo menos não o Jesus Cristo cultuado por bilhões de cristãos ao longo de mais de dois mil anos. Portanto, honras a Judas Iscariotes, o verdadeiro, o do mundo real platônico. O Judas Iscariotes moderno, a cópia mal ajambrada da cópia, esconde-se sob o pseudônimo de Judas Tadeu. Este vende um Cristo que, como um gato, tem sete vidas, e chama-se ABC. O dinheiro que o Judas mal copiado usou para comprar a massa alvinegra tem nome e sobrenome que dignificam a história do Mais Querido: chama-se Maria Lamas Farache e é carinhosamente chamado de Frasqueirão.
Não sei quantas vezes o ABC já morreu sob a direção desse senhor. A cada vez que morre há indícios irrefutáveis de tortura. Em nenhuma delas o médico que é seu vice conseguiu salvar o paciente ou nem ao menos abrandar o sofrimento pelo qual passa. E nem pretende nem nunca pretendeu fazê-lo. Quando a Frasqueira acordar da letargia em que se encontra, embevecida que está com as suas "moedas de prata", perceberá que passou um tempo torcendo por um estádio e o clube que ela ama não mais existe.

Fica

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor (
slbtrindade@yahoo.com.br)

Pafraseando Moraes Moreira: Agora como é que eu fico nas tardes de sábado...

A minha geração talvez seja a última que presenciou o desfile de craques pelos campos de futebol do Brasil e que fossem profundamente identificados com o clube que defenderam: Zico e Flamengo, Roberto Dinamite e Vasco, Sócrates e Corinthians, Ademir da Guia e Palmeiras, Garrincha e Botafogo, Falcão e Internacional. São apenas alguns exemplos.

Impossível não fechar os olhos e transportar-se para os anos 1970-80 sem vislumbrar a alegria e a tristeza que Zico, com a 10 do Flamengo às costas, causava, respectivamente, às torcidas de Flamengo e Vasco. Ou ver Roberto Dinamite, com a 10 do Vasco, estufar as redes adversárias. Talvez sejam os exemplos mais emblemáticos dos que estão na faixa dos 35 aos 45 anos.

Jogo uma peladinha semanal no colégio Marista desde 1982. Este ano o convescote futebolístico completa 27 anos de vida. Na maior parte do tempo, um comandante extrapolou todos os limites sadios de liderança. Competente professor de Matemática, número oito nos costados quanto pisa no gramado do Marista, Ademar é a expressão viva da sobrevivência de uma das mais agradáveis reuniões de que eu participo. Mais da metade de minha vida (tenho 39 anos) transcorreu em torno de um grupo que mudou, mas em essência permanece o mesmo, e que é responsável, em certa medida, pelo homem que sou. Todos temos de nos aposentar. Inclusive Ademar que, para mim, parecia ser invencível. Acreditava que ele jamais passaria o bastão de comando para outro. Uma espécie de Fidel Castro do bem. Um ditador consensual. Todos o aceitamos, todos a ele nos curvamos quando o assunto são assuntos de sábado à tarde. Sábado a partir de 14 h não pode haver programa. Jogar bola é o PROGRAMA, depois sair para sorver alguns não poucos goles de cerveja.
Pois bem, depois de 24 anos defendendo as cores do Marista, Ademar anuncia aposentadoria. Problemas no joelho, que ceifaram carreiras que pareciam promissoras ou abateram monstros sagrados do futebol, como Reinaldo, Zico e Garrincha, para citar três dos mais importantes jogadores brasileiros, tira de campo não uma promessa, mas um experiente professor e dublê de jogador de futebol, de inestimáveis serviços prestados ao colégio no qual leciona e à equipe que valentemente defendeu, como meia-armador, por mais de duas décadas.
Como não poderia deixar de ser, já começo a ouvir um burburinho no pátio do colégio, entre docentes e discentes, nas reuniões informais e formais reunindo professores, nas residências de quem com ele conviveu e convive, até que, assombrosamente, faz-se ouvir o ronco surdo da massa tomando as ruas. Poucos experimentaram isso: Pelé, quando decidiu não mais jogar pela Seleção Brasileira, experimentou o êxtase de ouvir um Maracanã lotado pedir para que ele ficasse; Zico, o mesmo quando não mais jogou pelo Flamengo; Roberto, quando deixou o Vasco.
Nós, esforçados jogadores de final de semana e a nossa pequena torcida, também havemos de gritar a plenos pulmões: FICA Ademar, FICA Ademar...

A mediocridade brasileira

Por Sérgio Luiz Bezerra Trindade (slbtrindade@yahoo.com.br)
Professor

Retomo este texto para fazer algumas correções gramaticais e algumas considerações que não foram devidamente esclarecidas.

Educação no Brasil é algo que dá dinheiro para alguns poucos, não rende voto e continua, quando muito, no terreno distante do discurso vazio, eleitoreiro e demagógico. Ai de quem tiver, de fato, um projeto sério para salvar o país do desastre educacional ou do marasmo que contamina pais, alunos e professores. O destino de quem o fizer será, no mínimo, a indiferença da sociedade. É só analisar o que ocorreu há pouco mais de um mês, quando a sociedade recebeu impassível uma pletora de números indicando que a educação no Brasil vai de mal a pior. Que há uma grave deterioração no desempenho dos estudantes. E o que faz a sociedade? Nada. E o que fazem os donos do poder em Brasília? Nada. O que fazem as autoridades norte-rio-grandenses? Nada. Melhor dizendo: em Brasília discutiram-se muitos temas importantes, a saber, se o PMDB vai participar do governo, com quantos ministérios e quem serão os contemplados, se Renan Calheiros romperia ou não com Lula, entre outras besteiras. Quanto ao tema educação, o que ouvi de mais alvissareiro é que poderia haver um novo Ministro – saindo Fernando Haddad (um técnico), para a entrada de Marta Suplicy (um político). Se se confirmasse a informação, sairia alguém que, por ser técnico, presume-se, entende do ofício e entraria uma dondoca afetada, sequiosa por usar o espaço como comitê e trampolim político para vôos mais altos, uma possível candidatura ao governo de São Paulo ou, porque não, à Presidência da República. Até que na semana passada, surgiu um novo plano: um plano de investimentos na educação básica. Não se atenta para o detalhe de que até tem se investido em educação. O problema é que se gasta mal e não se prioriza o que deveria ser priorizado (investe-se muito em educação de nível superior e pouco em educação básica; e quando se encaminha verba para secretarias de educação e escolas não se exige cobrança quanto à qualidade do serviço a ser oferecido).

A melhoria da educação não passa pelo loteamento do ministério entre aliados. Não é pondo na pasta um político ou um técnico (seja Marta Suplicy, Fernando Haddad ou qualquer outro) que a área irá deslanchar. Mas um técnico, para um setor que precisa de uma gestão eficiente e equilibrada, é sempre melhor a um político. Submetida a desmandos colossais, a área educacional precisa de um pacto que envolva as três esferas governamentais (cada uma delas estabelecendo metas a serem efetivamente atingidas), a sociedade civil, o Congresso Nacional, etc. Educação é para ser tratada como área de segurança nacional, setor estratégico da economia. Só assim, salvaremos o país da débâcle. Todos cumprindo suas metas previamente estabelecidas. É isso ou o caos.

Metas também devem ser fixadas para os diretores de escolas, para os professores e para os estudantes. Os currículos precisam ser inteiramente modificados, evitando-se os aprofundamentos inúteis que determinam objetivos grandiosos e mascaram resultados pífios. Muito se diz que os estudantes brasileiros não sabem ler e escrever. E é verdade. Mas, ao que me consta, ler e escrever é um exercício, que precisa ser exaustivamente praticado. É na área das humanidades que melhor se poderia praticar os exercícios da leitura e da escrita. Mas qual o peso, no currículo, dado à área das humanidades? Em comparação com a área das ciências naturais e exatas, praticamente nenhum. Como tornar o jovem pronto para um mundo no qual a leitura é cada vez mais importante, se a escola não valoriza as disciplinas que lidam com ela?

Os alunos não podem ser tratados como coitadinhos e clientes, como por vezes fazem os “analistas” e dirigentes de escolas públicas e privadas, respectivamente. Alunos têm obrigações a cumprir. Não as cumprindo, não podem evoluir para as séries seguintes. Reprová-los não é a solução. Mas as férias tão aguardadas deveriam ser adiadas ou abreviadas, contanto que o estudante atinja os objetivos que foram de ante-mão propostos. Os professores, por sua vez, devem ser premiados quando atingem uma excelência pedagógica. Uma política meritocrática precisa ser implantada e precisa funcionar nas escolas (não só nelas, mas em todos os setores).
Professores e alunos que estudam devem ser premiados pelo esforço. Mais cedo ou mais tarde o sistema de mérito deverá vigorar no Brasil. Ou isso, ou a falência do país. Sem a valorização do mérito, o país continuará estimulando a mediocridade, patinando na imbecilidade e discutindo trivialidades.

Sunday, November 12, 2006

Reação à reação*


Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor/Estudante de Jornalismo


Escrevi neste espaço, no dia 19 de setembro, um artigo com o título “Coisas Mortas”, remetendo à cena do filme “Zuzu Angel” que mostra Stuart Angel Jones sendo torturado. Disse que o processo de tortura age sobre o ser humano coisificando-o, tornando-o um objeto ou, no máximo, um ser sem subjetividade. O artigo rendeu e-mails, alguns educados e outros desaforados, contestando ou relativizando a tortura durante o ciclo autoritário (1964-85). Rendeu também um texto de jornal de um militar, um coronel-aviador aposentado, dizendo desconhecer as estatísticas sobre o que ocorreu no Brasil de 1964-85, mas abismado com as mortes na Rússia Stalinista, as torturas na Alemanha Nazista e as perseguições na Cuba Castrista. Fácil olhar e acusar a sujeira em outros países e jogar a nossa para debaixo do tapete. Eu também fico injuriado com tudo o que foi feito na Rússia, na Alemanha, em Cuba. E no Brasil.


Gostaria de dizer que não sou dos que demonizam, por completo, o período autoritário brasileiro (1964-85). Houve avanços naqueles anos sombrios. Mas não vou me ocupar deles. Pelo menos não hoje. Também não concordo com os que o batizam de regime militar, e digo isso no artigo que escrevi. De militar aquele regime teve muita coisa. Não tudo. Existiu muito civil, que se locupletou e se beneficiou, pela proximidade ou presença no governo dos generais-presidentes – aqueles que diziam fazer um movimento revolucionário para expurgar corruptos e subversivos. Nenhum dos políticos e empresários que mamaram nas tetas daquele regime era guerrilheiro ou subversivo. Alguns continuaram se beneficiando e se locupletando ainda durante a Nova República. Sendo assim, prefiro então definir aquilo como regime autoritário – e só, pois o Estado de exceção implantado em 1964 e revisado, para pior, em 1968, atuou quase sempre em consonância com um ordenamento jurídico – discricionário – elaborado em conjunto por militares e civis liberticidas. Portanto, quase sempre em discordância com os princípios liberais-democráticos e humanísticos, tão caros a alguns das eminências – civis e militares – que lhe dava sustentação.

Que houve tortura no Brasil durante aquele período, não há dúvida. Existem indícios de que o Estado – essa construção racional, essa instituição que deveria zelar pelo bem-estar dos cidadãos – torturou e matou. Mais do que indícios, existem provas. Tanto que o próprio Estado brasileiro indenizou muitos dos que foram suas vítimas naqueles anos tenebrosos.
Sou professor e, ao passar essas informações para os meus alunos, não faço proselitismo. Informo. Posiciono-me. Acuso aos que atentaram contra direitos fundamentais da pessoa humana. Contra os bárbaros atos feitos em nome da luta contra a subversão. E ressalto que, se subversivos existiam, ao Estado competia prendê-los, tirá-los de circulação. E era isso o que propunha o AI-5, esse famigerado instrumento legal, baluarte da ordem jurídica daquele regime que às vezes se autodenominava, pasmem, democrático.

Os defensores do regime instaurado em 1964 não se queixam mais das acusações de que houve tortura. A briga, para eles, é outra. Arrumar argumentos que justifiquem a sua ocorrência em instalações públicas. Quais as desculpas para a tortura e a mortandade perpetrada pelos agentes do regime? Quase sempre o argumento é: estava-se em guerra. Contra jovens guerrilheiros que aqui queriam implantar um regime comunista. Se não estou enganado, os manuais militares afirmam que na guerra se mata em campos de batalha, não em porões. Se se estava em guerra, mesmo contra um exército irregular, as tropas da lei e da ordem deveriam ter respeitado a Convenção de Genebra, um princípio que rege as guerras entre povos civilizados. Mas não, os “soldados” do regime preferiam atuar nas sombras dos porões – torturando e matando –, zona para onde acorrem os que pretendem esconder alguma coisa.

Também não me venham com o argumento de que militares morreram em combate contra guerrilheiros. O argumento não serve para legitimar a prática da tortura e do assassinato. Militares brasileiros morreram em combate. Guerrilheiros morreram em combate. Se assim fosse, não teríamos o que discutir. Guerra é guerra. Nela se mata e se morre. O imoral era torturar e matar depois que um guerrilheiro ou um subversivo havia sido feito prisioneiro.
Um dos que ficaram furibundo com o meu artigo, chamando-me de comunista (coitado, não sabe o que diz) e anarquista (talvez estivesse um pouquinho mais próximo da verdade), disse que os guerrilheiros também torturaram militares. Se isso é verdade, a ação do guerrilheiro não deveria ser paga na mesma moeda por um agente do Estado. A ninguém é dado o direito de passar por cima dos direitos individuais. Ao Estado, principalmente, caberia preservá-los.

Foi assim que se construiu a civilização.

*Artigo publicado no Jornal de Hoje

Monday, October 23, 2006

Que papelão deputado!
O deputado estadual Raimundo Fernandes mostrou o nível de nossa representação estadual. Percorrendo as ruas de Petrópolis com a candidata a reeleição Wilma de Faria, o deputado discutiu com duas eleitores de Garibaldi. Como disse ter sido primeiro agredido pelas mulheres, Raimundo Fernandes estirou os dedos para elas.

Nada mais cidadão.
Para que servem os partidos?
Reposta: para abrigar interesses privados. Pelo menos no Brasil. Não deveria ser assim. Mas é. Vejamos: o vice-governador de Wilma, Antônio Jácome, foi candidato a deputado estadual pelo PMN; no primeiro turno apoiou a candidatura de Wilma, agora, no segundo turno, está com Garibaldi. Salatiel, filiado ao PFL, aliado de Garibaldi Filho, no 1º turno, virou; agora acompanha a Wilma. Gílson Moura, do PV, também mudou de lado: no 1º turno estava apoiando a reeleição de Wilma, no 2º é Garibaldi. Tudo pensando no bem comum. Os “argumentos ideológicos” que convenceram essas lideranças foram fortes.

Campeões de voto
Para onde vão Robinson Faria e Fábio Faria, pai e filho? Campeões de voto, foram eleitos pelo PMN, partido que não passou pela cláusula de barreira. Boatos asseguravam que iriam para o PSDB. Aqui estariam aliados a Wilma, mas no plano federal iriam para oposição do presidente Lula. Pode ser o caminho, mas desconfio que não é a solução pensada. Esperemos.

Natal como trampolim

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor
*Artigo publicado no Jornal de Hoje

Tempos atrás escrevi um artigo para este jornal no qual defendia a tese de que Natal sempre fora uma fronteira política e militar, como prova a nossa participação na Segunda Guerra Mundial (quando Natal foi batizada de Trampolim da Vitória), fato que os responsáveis pelo turismo no estado não sabem capitalizar.

Assim como a história da nossa participação naquele conflito, que envolveu o mundo em meados do século XX, continua inexplorado, do ponto de vista artístico, cultural e turístico, outros momentos de nossa gloriosa história continuam esquecidos, relegados ao silêncio misericordioso do tempo. Instantes marcantes, que poderiam ser usados para forjar uma identidade para a nossa cidade e o nosso povo.

Pois bem, muito antes da Segunda Guerra Mundial, nos idos do século XVII, Natal já desempenhara o papel de trampolim. Um trampolim para a conquista do norte do Brasil. Durante um bom pedaço da Segunda Guerra, fomos um trampolim para a conquista da África, contribuindo para derrotar as forças nazistas que se apoderaram daquele pedaço do mundo.

No final do século XVI, a fundação de Natal representou um marco colonizador da porção norte do Brasil, pois garantiu o domínio português da capitania do Rio Grande e deu oportunidade aos portugueses de conquistar e empreender o domínio do litoral norte do Brasil, visto a localização da capitania, de esquina na parte nordeste da América do Sul, permitir a sua utilização para o salto que garantiu a conquista e a incorporação do Ceará, do Maranhão e do Pará ao território da então colônia portuguesa que se formava e se espraiava. Essas conquistas garantiram a posterior colonização da região amazônica em sua parte central.

A construção do Forte dos Reis Magos e a fundação de Natal, marcos colonizadores da capitania do Rio Grande (em grande parte o atual estado do Rio Grande do Norte) foi de grande importância na formação do território brasileiro em sua parte setentrional. A posição estratégica do Forte permitiu que o litoral norte-rio-grandense ao norte e ao sul fosse resguardado e encurtou a distância do Maranhão ao Amazonas, permitindo o avanço da fronteira e da colonização lusitana no século XVII. A posição geográfica do Rio Grande do Norte – uma esquina norte-oriental da América do Sul – foi, assim, a porta que permitiu o prosseguimento da conquista portuguesa no litoral norte do Brasil.

Duas figuras de proa, que serviram no Forte dos Reis Magos, Jerônimo de Albuquerque e Martim Soares Moreno, foram, respectivamente, o conquistador do Maranhão e o primeiro capitão-mor do Ceará.

Por que tais fatos não são explorados pela indústria do turismo? Que imagens existem de aventureiros e conquistadores como Jerônimo de Albuquerque Maranhão e Martim Soares Moreno? Por que não construir bustos daqueles que aqui viveram e daqui partiram para alargar as fronteiras do Brasil? Por que não erguer uma bela praça próxima ao Forte dos Reis Magos e dispor nelas os bustos desses heróis, imagens que lembrassem as suas façanhas? Por que não pintar quadros que lembrem os seus feitos? Espetáculos de teatro a céu aberto poderiam ser encenados para lembrar as suas realizações? Esses espetáculos poderiam ser encenados durante a Festa de Santos Reis, há muito esquecida e abandonada por nossas autoridades. Concursos de músicas e poesias poderiam ser promovidos para valorizar esse período tão rico de nossa história. Dessa forma estaríamos contribuindo para resgatar a nossa história, popularizando-a. E caminharíamos céleres em busca de uma identidade para a cidade de Natal, caminho já descoberto por nossa irmã do oeste, a pioneira Mossoró.

Natal: cidade aberta


Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor/Estudante de Jornalismo

A beleza é um traço característico da cidade de Natal. O seu mais marcante traço. Todos que eu conheci, todos com quem já conversei, de outros estados e de outros países, confirmam isso. A natureza que circunda a Cidade do Sol é exuberante. Não faltam praias bonitas, dunas, lagoas, vegetação espessa, e sol, muito sol, quase o ano inteiro. Mas Natal não é só praia e sol. Natal tem história, ainda que não tenha memória. Tem história, mas vive em busca de uma identidade, como se isso não tivesse de ser construído.

A Identidade não nasce em árvores, nem em praias, nem em dunas. Pode se fazer também disso. A natureza contribui para construção de uma identidade, mas esta vem, acima de tudo, da história de um povo, do seu passado, dos seus costumes, de sua tradição. E isso Natal ainda não construiu. Ainda falta identidade a esta bela cidade. E faz muita falta. Deus já fez a sua parte; falta a dos homens.

Assistia num desses dias a uma aula do professor Cassiano Arruda, de quem sou aluno na UFRN, quando ele disse uma frase que chamou muito a minha atenção. Já havia pensado nisso várias vezes. Já havia compartilhado essa angústia com alguns amigos. Segundo Cassiano, Natal tem um litoral exuberante, como todos os estados nordestinos. Nisso não podemos nos diferenciar dos nossos irmãos daqui de cima do mapa. Mas temos um diferencial, ainda de acordo com o professor-jornalista-publicitário: a história da Segunda Guerra Mundial, e como Natal participou dela. Só Natal poderia mostrar aos turistas que vêm para essas bandas nortistas o que foi e o que representou a Segunda Guerra Mundial. Fomos o estado brasileiro mais próximo do teatro de operações africano. Ninguém respirou mais o ambiente daquele conflito do que nós que descendemos de Poti e Janduí. Contribuímos imensamente para a derrota do Reich de Mil Anos pensado por Hitler e seus asseclas.

Chamo a atenção para esse detalhe porque temos pouco zelo com a nossa história. Somos um povo desmemoriado. São somente sessenta anos do fim da maior de todas as guerras, e nossa cidade teve naquela conflagração mundial papel estratégico. E o que em nossa cidade lembra esse feito? O que está sendo feito pela e na Ribeira velha de guerra (sem nenhum trocadilho)? E o Grande Hotel, sempre lembrado nos discursos e esquecido nas ações? E o cabaré de Maria Boa? E a Rampa? E o antigo prédio da Escola Doméstica? O que os turistas que vêm a Natal sabem de tão nobre pedaço da história da cidade? O que as autoridades da área de turismo fazem quanto a isso? Por que não preservam esses espaços para depois propagandeá-los junto às agências de turismo?

Natal sempre foi, desde a sua fundação, uma fronteira política e militar. Uma cidade aberta. A sua história é prova disso. A Segunda Guerra Mundial representou uma das aberturas de Natal para o mundo, uma de muitas. Sim, existiram muitas outras. Mas isso é outra história.

Monday, October 09, 2006

Uma Vergonha!

Camila Martins
Estudante de Jornalismo

Pesso licença para falar de um acontecimento que presenciei no dia 1° de outubro. Um lamentável e vergonhoso acontecimento!


Enquanto os mossoroenses cumpriam o dever do voto, a Excelentíssima senhora prefeita Fafá Rosado foi detita pela Polícia Federal por infringir a legislação eleitoral. Ela foi flagrada fazendo carreata por bairros da cidade. Fafá ficou presa toda a tarde daquele domingo no Ginásio Poliesportivo Pedro Ciarline.


Em poucos minutos o fato virou notícia que gerou uma aglomeração nos arredores do ginásio. A maioria das pessoas que lá se encontrava, infelizmente parecia não entender o que estava acontecendo ou não ter noção da gravidade. Era uma multidão que gritava em defesa da prefeita como se sua atitude fosse louvável. A maneira como a prefeita se comportou é primeiro vergonhosa! Essa senhora ocupa o espaço de um representante que tem o dever de trabalhar segundo a legislação. Mais que os indivíduos comuns ela tinha obrigação de se comportar perante a lei. Faltou respeito, faltou disciplina, faltou bom exemplo de comportamento e faltou reconhecer o erro. Ao invés de sentir-se mal pela situação que criou e pedir desculpas, Fafá Rosado ousou enviando acenos e beijos na saída. Tudo com a maior naturalidade.


Agora, a ocorrência está sendo encaminhada à Justiça Federal para averiguação do fato e só.

O roubo da fé
Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor/Estudante de Jornalismo

Não sou religioso. Muito pelo contrário, fujo dos templos desde que me entendo de gente. Nada contra as religiões. Não comungo dos preceitos de Marx, que dizia ser a religião um ópio do povo, instrumento-mor da alienação. O consumismo desenfreado é muito mais alienante. Os meios de comunicação, principalmente a televisão, contribuem mais para a alienação do que as religiões.

Mesmo não sendo religioso, percebo que todos os indivíduos tendem para algum tipo crença. O problema é quando ela – a crença – dá lugar ao fanatismo e ao fundamentalismo. Aí a situação torna-se perigosa, dada a violência que geralmente acompanha o fanático. O perigo expressa-se quando a intolerância ameaça a diferença, e quando o crente elege a sua divindade como a mais importante, negando o direito de crer, mesmo quando o outro acredita no mesmo Deus.

Quando Deus, então, entra na política em pleno século XXI, num mundo de Estados laicos, é sinal de algo muito mais grave está acontecendo. Quando fiéis são assaltados em templos religiosos em nome da fé, e sacerdotes fazem carreira política e fortuna subtraindo os tostões de gente humilde é porque as bases do mundo ocidental, erguidas no final do século XVIII, apodreceram. Pois, leitores, é isso o que está acontece no Brasil. Talvez um dia acordemos sob a bandeira da República Federativa “Cristã” do Brasil. Assim mesmo com aspas, para mostrar que de cristã ela teria muito pouco. Ou nada.

Os fatos que nos chegam são deprimentes. E aumentam de freqüência e de intensidade quando se aproximam os períodos eleitorais. As cenas inesquecíveis e cada vez mais comuns de homens de igreja sendo detidos com malas de dinheiro, apenas expõem as manifestações mais espetaculares e extravagantes dessa tendência. Para os ladrões do credo, somente o Deus que eles roubaram e de que se utilizam para roubar os fiéis é autêntico e verdadeiro. O único capaz de salvar o país, o estado ou o município (dependendo do cargo a que se candidatam) do desastre. O único que pode levar os cidadãos a experimentar as delícias da terra prometida. E é em nome dessa crença que esses líderes descobrem a terra da promissão para eles mesmos.

O cidadão brasileiro, se educado de maneira plural, estaria vacinado contra esses profetas da esperança. Descobriria o engodo das falas e a esperteza dos argumentos O simples fato de pertencer a uma religião não é suficiente para redimir ninguém. Os homens não se redimem por suas crenças, mas por suas boas ações, pelo seu bom comportamento, pela integridade do seu caráter, pela sua correção, traços que faltam a esses chefes de rebanhos.

Aquele casal de diminutivos que governa o Rio de Janeiro faz uma cruzada religiosa, e discursa sofregamente querendo levar o Deus deles a todos nós, infiéis e ímpios. O presidente Lula disse num comício no Rio de Janeiro que o estado deveria ser governado por quem entende de Deus, o bispo Marcelo Crivela. Aqui no Rio Grande do Norte sobram pastores candidatos. Nada tenho contra candidatos religiosos nem religiosos candidatos. Mas me dá um frio na espinha quando vejo discursos políticos transformados em pregação religiosa e sermões travestidos de discursos políticos. Quando alguém se faz político e nas suas falas o elemento religioso palpita, ele não está só misturando política com religião. Mas substituindo aquela por esta. E às vezes ainda se passando por mensageiro divino. Já sinto o cheiro de carne assada. Vou me converter imediatamente. Não, melhor esperar qual o Deus que governará o Brasil. Vocês sabem, não quero ficar do lado errado.

Não quero responsabilidade

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor/Estuadante de Jornalismo

Sou do tempo em que campanha eleitoral empolgava. Havia alguma polêmica. É certo que sou fora de moda, tão fora de moda quanto a palavra que penso exprimir os que são fora de moda – cafona.

Imaginei, antes do seu início, que a campanha deste ano seria empolgante. Enganei-me. Ele está sem gosto. Chata! Não temos debate nem provocações. É como se não existisse resquício de vida inteligente. Não há sequer uma encenação, exceto por alguns momentos excepcionais, quando algum candidato aventureiro põe uma pimentinha no insípido rame-rame dos candidatos “oficiais”. E isso não é somente desta eleição. A anterior e,m Natal foi de amargar. E se os candidatos fazem isso há anos sem praticamente nenhuma reclamação por parte dos interessados, a saber, o eleitor-cidadão, alçado (?!) à categoria de mero espectador e homologador de escolhas de gabinete.

O debate político vem sendo engolido, há aproximadamente uma década, pela lógica do espetáculo, sub-produto da cultura imagética. Saliente-se que o Brasil é um país que tem uma sociedade domesticada pelos meios de comunicação de massa, principalmente rádio e TV.
O eleitor compra, a cada eleição, uma fantasia fabricada pelo marketing, e apresentada como expressão orgásmica imediata. Os candidatos não precisam se diferenciar, e dizem coisas cada vez mais iguais e sem sentido – algo distante até mesmo dos antigos chavões e clichês. “Idéias” cada vez mais parecidas e vagas. E isso quando as têm.

Idéias e projetos precisam ser expostos e explicados; exposições ideológicas exigem esforço de elaboração e, por tabela, de compreensão, coisa de que o cidadão-eleitor brasileiro, curtido no jogo político via meios de comunicação de massa, busca afastar-se. Escolher com base em ideais, idéias e projetos exige comprometimento, traço que não faz parte das características da média do eleitor tupiniquim, mais interessado em saber quem será o candidato vitorioso do que investigar qual seria o seu projeto político-público.

Assim, os candidatos não precisam apresentar projetos nem fazer uma exposição dos problemas a serem enfrentados. Importa simplesmente simular um ar de vencedor. Pois ela, a imagem, que fica.
A vez é dos candidatos mauricinhos. Muitas carinhas bonitas; poucos neurônios.

Não quero responsabilidade

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor

Sou do tempo em que campanha eleitoral empolgava. Havia alguma polêmica. É certo que sou fora de moda, tão fora de moda quanto a palavra que penso exprimir os que são fora de moda – cafona.

Imaginei, antes do seu início, que a campanha deste ano seria empolgante. Enganei-me. Ele está sem gosto. Chata! Não temos debate nem provocações. É como se não existisse resquício de vida inteligente. Não há sequer uma encenação, exceto por alguns momentos excepcionais, quando algum candidato aventureiro põe uma pimentinha no insípido rame-rame dos candidatos “oficiais”. E isso não é somente desta eleição. A anterior e,m Natal foi de amargar. E se os candidatos fazem isso há anos sem praticamente nenhuma reclamação por parte dos interessados, a saber, o eleitor-cidadão, alçado (?!) à categoria de mero espectador e homologador de escolhas de gabinete.

O debate político vem sendo engolido, há aproximadamente uma década, pela lógica do espetáculo, sub-produto da cultura imagética. Saliente-se que o Brasil é um país que tem uma sociedade domesticada pelos meios de comunicação de massa, principalmente rádio e TV.
O eleitor compra, a cada eleição, uma fantasia fabricada pelo marketing, e apresentada como expressão orgásmica imediata. Os candidatos não precisam se diferenciar, e dizem coisas cada vez mais iguais e sem sentido – algo distante até mesmo dos antigos chavões e clichês. “Idéias” cada vez mais parecidas e vagas. E isso quando as têm.

Idéias e projetos precisam ser expostos e explicados; exposições ideológicas exigem esforço de elaboração e, por tabela, de compreensão, coisa de que o cidadão-eleitor brasileiro, curtido no jogo político via meios de comunicação de massa, busca afastar-se. Escolher com base em ideais, idéias e projetos exige comprometimento, traço que não faz parte das características da média do eleitor tupiniquim, mais interessado em saber quem será o candidato vitorioso do que investigar qual seria o seu projeto político-público.

Assim, os candidatos não precisam apresentar projetos nem fazer uma exposição dos problemas a serem enfrentados. Importa simplesmente simular um ar de vencedor. Pois ela, a imagem, que fica.

A vez é dos candidatos mauricinhos. Muitas carinhas bonitas; poucos neurônios.

E... chegaram as eleições

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor/Estudante de Jornalismo

Setembro. Pouco mais de três semanas para o dia da eleição. Chegou o momento-chave do processo eleitoral. O último mês é decisivo. Ao que parece, a eleição presidencial já está decidida. Mas se o candidato Alckmin ainda almeja alguma coisa, tem de correr. E muito. Já quanto a eleição para preencher o cargo de governador do estado, aqui no Rio Grande do Norte, o jogo está aberto.
A pré-campanha e a campanha fizeram oscilar o quadro. Mas, durante todo o processo, somente dois candidatos mantiveram-se competitivos: Garibaldi Alves Filho e Wilma Maria de Faria.
Iniciada mesmo após a Copa do Mundo, a campanha pouco mobilizou o eleitorado, teve uma exposição sistemática e contínua dos candidatos nos meios de comunicação, pouco debate, uma penca de entrevistas e movimentação pelo interior, quase sempre carreatas. Os comícios, aqueles espetáculos movidos a shows de artistas populares e/ou muita falação, foram um fiasco.
Apesar da onda criada pela mídia e da grita dos políticos sobre o desinteresse do eleitor pelo processo eleitoral, percebo o contexto de forma diferente. Democracia se faz praticando, até que ela se torne rotineira e não precise de manual para o cidadão-eleitor saiba como proceder. As rotinas são, geralmente, frias. Mecânicas. Algumas até enfadonhas. Chegamos, no Brasil, a esse momento. Claro que não podemos deixar de reconhecer que os nossos homens púbicos não ajudam a empolgar, por um punhado de motivos que não vem ao caso e nem é intenção minha expor nesse espaço.
Nas democracias amadurecidas, quando as campanhas chegam às TVs têm uma seqüência curta, resumida em dois momentos: 1) mobiliza o eleitor através de entrevistas, noticiários e debates; é nessa fase que os eleitores são informados sobre as candidaturas, a proximidade do pleito e as principais questões da agenda do país e do estado; 2) os candidatos buscam afirmar o perfil e fixar os pontos principais de sua agenda política-administrativa, interagindo com os cidadãos.
Deveríamos já estar vivenciando essa segunda etapa. Infelizmente, ainda estamos na primeira, com os candidatos com perfil embaçado ou indefinido. Ou ambos. Ou ainda sem perfil. Temos mais mobilização do que discussão de propostas. A agenda é pequena ou inexistente. Briga-se muito. Debate-se pouco. Faltam idéias. Sobram caneladas.
A propaganda na televisão deveria ter sido melhor aproveitada pelos candidatos para apresentar propostas. Ainda temos quase duas semanas. É um bom tempo. Não sei se suficiente para apresentar algo ao mesmo tempo exeqüível e substancial. O momento é decisivo, porque é a partir de agora que o eleitor indeciso e instável deve ser seduzido e persuadido. É agora que ele deve ser convencido acerca dos temas e da qualificação dos candidatos, principalmente num país como o Brasil, de vivências messiânicas, nas quais as eleições são um momento-síntese – o de renovação de esperanças.
O eleitorado brasileiro é muito volátil. A probabilidade de mudanças é quase sempre muito grande. Na campanha para governador as tendências ainda não estão cristalizadas. E quando uma eleição é parelha e competitiva como esta entre Garibaldi e Wilma promete ser, essa é a hora da verdade. O cidadão-eleitor precisa de mais informação sobre as promessas e práticas dos candidatos. A agenda econômica não saiu de cena, mas perdeu um pouco de importância. O cidadão brasileiro está tão ou mais preocupado com outras questões. Como houve um encurtamento da agenda, o eleitor está mais atento para os atributos políticos e pessoais dos candidatos. E a mídia é o espaço onde o eleitor vai buscar informar-se. A partir daqui o seu interesse na campanha será maior. Isso pode ser bom ou ruim para os candidatos. Crescem para eles as oportunidades. E os riscos.

A limitação da política

Sérgio Luiz Bezerra Trindade
Professor/Estudante de Jornalismo

Não suporto ouvir gente esclarecida dizer que odeia política. Sinto calafrios quando quem afirma isso tem diploma de nível superior. Perco a esperança no futuro quando a quem emite o juízo é alguém formado na área humanística. Mas, excluindo o fato de que os “humanistas” que não gostam de política não gostam mesmo é de estudar, a “política” tem trazido cada vez mais dissabores. E a causa é a contaminação do jogo político por arrivistas, ladrões, despreparados, playboys, retardados, mafiosos e outros menos votados.
O escândalo do mensalão trouxe à tona a falência do sistema política brasileiro. E o problema não é, como parece, a compra do deputado e do senador quando eles já são parlamentares, e sim a compra do próprio processo político. Compra-se o político na campanha e ele continua a se vender durante o exercício do mandato. Tudo feito em nome do exercício do poder em benefício do povo. Como se fôssemos – os que não compactuam com a farra – otários.
Vivemos num festim. Privado. Mas patrocinado com dinheiro público. Uma verdadeira orgia entre o público e o privado. Quando se rouba um percentual pequeno (1%, 2%, 3%...) a sociedade parece não mais se assustar. E quando nos indignamos é somente com o que surrupiou o percentualzinho. E o que pensamos sobre o dono do percentualzão? Por que a sociedade nunca quer saber quem é o corruptor? Muitos dos financiam campanhas políticas só a fazem em troca de benefícios financeiros futuros. E não falo de benefícios legítimos. Refiro-me aos espúrios, acertados nas sombras e regados a uísque doze anos. Por que devemos excluir a responsabilidade das empresas e dos empresários. Político e tecnocrata só comem “bola” porque alguém a lança.
É preciso, também, concentrar-se no quadro pós-eleição. O sistema político brasileiro é autocrático, com um poder Executivo hipertrofiado. Ao excesso de poder do Executivo corresponde um atrofiamento do Legislativo, tornado seu apêndice. Ou quando muito elo entre o Executivo e os governos estaduais e municipais, terreno onde medram as relações incestuosas das propinas, dos desvios e das trocas.
O quadro naturalmente cria um desengano. A minha geração cresceu ouvindo relatos sobre a luta contra o regime autoritário de 1964, nascido para corrigir os desvios políticos da democracia pós-Vargas. Não os corrigiu – e até os aprofundou, pois não só não eliminou a corrupção, mal maior do que a subversão infanto-juvenil batizada de comunismo, socialismo, anarquismo ou simplesmente oposicionismo. Veio a Nova República, regime nascido de um parto difícil, que consternou a nação quando uma diverticulite expôs as entranhas do formato da aliança oposicionista. Assumiu Sarney, convocou uma Constituinte e fez um plano econômico que logrou todo o mundo. A Constituinte fez uma Constituição, chamada Cidadã, que roubou o dinheiro do Estado, tirando o que deveria ir para os pobres para dar aos ricos. Desmoralizou-se Robin Hood.
A Constituição assegura que o Estado deve transferir renda de quem quase não tem para quem tem muito; o partido que se definia como o último guardião dos ideais republicanos, paladino da ética (coitado de Maquiavel!) soçobrou engolido pelo sistema político brasileiro; as nossas lideranças continuam agindo de forma pequena, minúscula – não têm uma missão no sentido maior do termo, só querem fazer negócios.
A eleição de outubro foi uma chance de correção de rumo. Não houve correção. O Parlamento brasileiro será pior – e por muitos anos, porque os que vêem são novos. Têm muitos anos para nos maltratar. E têm know-how.
Portanto: rezemos.

Sunday, September 24, 2006

E haja saco!

Heldon Jaime
Estudante de Jornalismo

Que o cenário político já virou um circo não temos mais dúvidas, agora, quererem que sejamos os palhaços do espetáculo, ah isso é demais.

É só ligar a TV no horário político e se deliciar com o “show de horrores” proporcionado por uma meia dúzia de indivíduos cuja finalidade e a de tripudiar com o povo brasileiro. Não se engane, o tipo de atitude tomada por esses candidatos nanicos, de forma alguma representa protesto com o atual cenário político. Pelo contrário, essa manifestação só traz resultado negativo, só faz com que percamos interesse pela política.

Não é de hoje que a política nos faz de palhaços, a cada eleição somos obrigados a aturar figurinhas dos mais variados estilos, com propostas absurdas, como a do candidato ao governo do Estado Xeque Humberto: “irei implantar o leite encanado, além disso farei um túnel ligando a praia da Redinha a Via Costeira ”. O revoltante é que tais “candidatos” estão apoiados pelo seu partido, tem lideranças políticas, e até eleitores fieis, como se esse tipo de fantasia fosse realmente algo serio.

A cada ano aumenta de forma acentuada o número de pessoas interessadas em “gozar” da cara de você eleitor. Eles se apóiam nos problemas do país, e na onda de politicagem para formular suas “propostas de governo”, não sei de onde esses coitados conseguem tanta inspiração para formular propostas tão fantasiosas.

Existem candidatos para todos os gostos, é um tal de Xeque Humberto pra cá, de um Miguel Mossoró pra lá, sem deixar de citar o Geraldo Forte, o candidato das calcinhas; além disso existem dezenas de deputados e senadores que diariamente humilham o Brasil, e nos deixam cada vez mais irritados com tanta baboseira.
Fazer chacota com a política deveria ser crime, não se pode denegrir a imagem do sistema político de uma nação, a palhaçada tem que ser substituída pela moral e consciência, brincar de política só faz com que a população perca mais ainda o interesse pelo tema.
A explicação (se é que existe) para tal cenário está baseada no argumento de que somente protestando será possível uma mudança no país. O que esquecem é que a forma mais eficaz de protesto, e que está ao nosso alcance, é o “voto”, só através dele é possível uma real mudança. Não podemos de forma alguma continuar brincando com assuntos extremamente sérios, e que mexem diretamente com o futuro do país.

Monday, September 18, 2006

Introdução
Camila Martins
Estudante de jornalismo

A chave dessa pesquisa é o voto. Entender como ele funciona. Toda a mobilização possível pretende analisar a função desse que é uma representação social. A contribuição específica, inicial, da Psicologia Social é analisada do ponto de vista teórico. A idéia é trabalhar o processo eleitoral como campo estruturado e núcleo estruturante da realidade social.As representações sociais, definidas como formas de conhecimento prático, são inseridas mais especificamente entre as correntes que estudam o conhecimento do senso comum. Isso pressupõe uma ruptura com as vertentes das teorias do conhecimento, já que o conhecimento formalizado focaliza o princípio epistemológico. No entanto, as correntes que se curvam sobre os saberes (fomalizados ou não) procuram superar a enorme distância entre ciência e senso comum, tratando as duas manifestações como construções sociais sujeitas às determinações sócio-históricas de épocas específicas. O processo de reconhecimento, analise e opção do voto no período eleitoral é uma construção do sujeito enquanto ser social. Sujeito que não é apenas produto de determinações sociais, nem produtor independente, pois, as construções são contextualizadas, resultado das condições em que surgem e circulam. É também um exteriorização do afeto, da afeição. A relação fundamental entre a Psicologia e a Política, no âmbito em vai ser considerado, será desenvolvida a partir da prática social contextualizada na análise de casos particulares como expressão de um universo, de um todo.

Notas


Fábio Faria, comenta-se, cogitou desistir da candidatura a deputado federal. Foi dissuadido pelo pai, o deputado estadual e candidato a reeleição Robinson Faria. Segundo quem presenciou o fato, Robinson Faria ficou extremamente irritado com o comportamento do filho.

Um candidato a deputado federal, da “aristocracia” potiguar, caminha vagarosamente pelas ruas da zona sul, para, aperta a mão dos cidadãos. Na zona norte, dizem, corre como um louco com medo de ser assaltado. Coisas de quem nasceu, cresceu e conhece Natal. De quem se descobriu vocacionado para a vida pública, mas que só veio a descobrir isso há uns dois anos, quando já era bem adulto.

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) vem ganhando rapidamente terreno rapidamente em sua luta pela reeleição.

Eleitores que tinham dúvidas em quem votaria para senador, agora assumem o voto com o seguinte argumento: “votarei em Fernando Bezerra, porque ele vai ser nomeado ministro por Lula e quem vai assumir é Ruy Pereira”.

A luta pelo voto vem esgotando quem trabalha na campanha. Um “soldado” de Felipe Maia disse que num dia o seu carro percorreu 300 km em oito horas entre Cidade Satélite, Conjunto dos Bancários, Pitimbu e Planalto, com um “boca de ferro” anunciando a candidatura do filho de José Agripino. A noite, disse, quase não conseguiu dormir ouvindo a cantilena do dia de trabalho.

Monday, September 04, 2006

PESQUISA DE INTENÇÃO DE VOTO
Revista Isto É divulga esta semana resultado de pesquisa para governo do Estado:
Wilma Faria 41,6%
Garibaldi Alves 40,5%

NOTAS
Os boatos estão de vento em popa. Os mais recentes dão como certo o rompimento entre o prefeito Carlos Eduardo Alves e a governadora Wilma Maria de Faria.

Por falar em rompimento entre o prefeito e a governadora, um importante assessor da governadora dispara: - Melhor para a governadora. Carregar Carlos Eduardo é difícil. O homem pesa demais e puxa a governadora pra baixo.

O senador Fernando Bezerra foi citado, primeiro foi o site Congresso em Foco, depois o jornal Correio Braziliense como um dos que direcionaram verbas de “emenda no valor de R$ 2 milhões para aquisição de medicamentos” para a fundação Aproniano de Sá, da família do ex-deputado Múcio Sá.

A Tribuna do Norte, jornal que tem Garibaldi e Henrique, adversários de FB, como sócios, não deu importância ao assunto.
Divulgou uma materinha bem escondidinha...com título que pouco dizia sobre o assunto.

O presidente Lula vem a Natal e a Mossoró dar uma forcinha a governadora Wilma. Assessores da governadora quiseram mudar a agenda política, de Natal para Parnamirim, tendo em vista imobilizar o prefeito Agnelo Alves.

Há quem se ponha contrário. Afinal, por que igualar o presidente da República a um simples prefeito de cidade do interior, ainda que seja um dos maiores colégios eleitorais do estado?

Como chamamos a atenção no sábado, pesquisa Isto-É/Databrain mostra virada da governadora para cima do adversário Garibaldi Filho.

O deputado federal Henrique Eduardo Alves acusou, em comício na cidade de Nísia Floresta, nesse domingo, que a pesquisa foi paga pelo governo do estado com dinheiro do foliaduto.